terça-feira, 18 de outubro de 2011

MADREDEUS


As marcas de meus sapatos
Ficaram sobre o cal
Derramado na calçada
Bem na porta
 De minha casa
Intuito inútil
De fechar caminhos
Escancarados
Varri o cal
Lavei a calçada
Fechei a porta
Acendi um incenso dos bons
Um cigarro
E fui ouvir Madredeus
Enquanto a manhã avançava
Pensei com um leve riso
No canto da boca
Será que ela conhece Madredeus?
Provavelmente não
Alguém que perde tempo
Com de pás de cal
Flores murchas
E anonimato
Não tem sede
Pra beber
De fontes
Que banham a alma
Não tem fome
Pra alimentar-se
 Com coisas simples
Que saciam a existência
Não tem fôlego
Pra trilhar
Os caminhos 
Que afagam o tempo
Nem ousadia
Pra mergulhar
Diante das luzes do farol
Que iluminam o singrar
Das águas
Que nos navegam
Enquanto ela naufraga
Em meio
 A seus desatinos escondidos
Nós dois
Emergimos mais e mais
Ofuscando sua covardia
E nossos olhos marejados
E cúmplices
Repousam agradecidos
 No mar
Profundo de Madredeus


Ana Mascarenhas – 18/10/2011

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